19 novembro 2009

Pausa



Desde que nasci que fiz uma pausa. Uma pausa longa na inexistência. Um dia voltarei a não existir.


07 novembro 2009

Alma



Pudessem os líricos compor poesia com a mesma tábua rasa da prosa, a liberdade do verbo seria uma corrente, todos estaríamos presos e, pelo vazio de significado, não existiria.


28 outubro 2009

E não está a ser fácil



-- Em que estão a trabalhar?
-- Estamos a tratar o tema mais importante da condição humana.


17 outubro 2009

Imunidades



Há qualquer coisa de errado, para mim, nessa coisa do racismo. Enquanto durante quase toda a História o racismo era aceite, promovido e abusivamente incrementado, today é repudiado ao ponto de quase, se não mesmo, ser um tabu. Alguém racista é menosprezado, excluído e questionado. O racista não é aceite e acho muito bem. Opróbrio, como dizia a minha professora de Antropologia.

Eu sou racista. Mas não tenho nada contra a cor da pele das pessoas, nem contra a religião ou ateísmo, nem contra a orientação sexual, nem contra as origens, nem contra apelidos esquisitos, borbulhas na cara, sotaques estranhos, tatuagens, estatura, cor preferida, escola em que andou e até os canhotos. Portanto defino-me como um racista que não está nem no 8 de há dois mil anos atrás, nem no 80 de ontem à tarde no Zimbábue. Há que ser franco. Acho que os racistas fanáticos são muito estúpidos. Não têm noção dos perigos da sua profissão.

O meu problema não é nem com os branquelas, nem com os niggas, nem com os monhés, nem com o Salazar. Para mim são iguais e o outro está morto. É com as atitudes das pessoas, com os comportamentos e com os valores que tenho problemas. Por isso eu tenho um sério ataque xenófobo quando me falam em ciganos. Não que eu tenha algum preconceito com a origem das pessoas ditas ciganas, mas sim com grande parte das pessoas dessa origem. Primeiro porque, os seus valores são os meus, mas depois de uma naifada. Os comportamentos deles são os meus, quando estamos a correr na mesma direcção. As atitudes deles são as minhas, só não consigo lembrar-me quando. A minha xenofobia manifesta-se com uma energia nas pernas para correr e palpitações acompanhadas de suores frios. Não há nada que possa fazer, é biológico, patológico, como lhe queiram chamar.

Quando os ditos deixam de desrespeitar-nos a todos, torna-se complicado ser racista, porque deixo de conseguir distingui-los das outras pessoas... Na verdade, passam a conseguir dar-se connosco, a viver em sociedade.

O problema é que não vejo essa tendência a aumentar. E agora sendo intelectualmente desonesto: está-lhes nos genes, ou damos-lhes o benefício da dúvida, novamente (pela enésima vez)? Há que ser politicamente incorrecto, para romper esta imunidade de que tanto gozam os ciganos, isto é, os ciganos maus, porque com festinhas isto continua na mesma.


10 outubro 2009

Ontem, sexta



Ontem, sexta-feira, penso eu, ouvi isto: "Gostava de ter uma pilinha para fazer xixi". Não foi um homem a dizê-lo, mas não foi por isso que foi menos insólito.

Este blogue por vezes tem momentos trágicos, mas não está só.


05 outubro 2009

Serralves e os Antípodas



Momento alto e baixo desta visita a Serralves, por nenhuma ordem em particular:

a) "Haverá vida antes da morte?"

b) "3... 2... 1... Explosão de Sexy!"


04 outubro 2009

Apontamento sobre Cor (e alguma publicidade)



Não fosse uma série de factores comuns na educação e experiência, ou seja, uma grande parte da nossa cultura, não compreenderia a diferença fundamental entre o azul e o magenta.


Foi com alguma graça que ao encontrar um bar estabelecimento de bem-estar, as casas de banho estavam diferenciadas somente pela cor, o azul e o magenta. Óbvio. Mas que seria de mim se fosse daltónico? Se nunca tivesse aprendido esta concepção ocidental, a qual na verdade desconheço as suas obscuras origens, poderia ter tido uma surpresa para mim, e outra pessoa também. Hum...

Bedouin, em São João da Madeira. (pub)


16 setembro 2009

Hum?



É escusado, e talvez ofensivo, perguntar a um workaholic se trabalha para viver ou se vive para trabalhar.


15 setembro 2009

E tu és um grande nabo, desculpa lá



O famoso (ou será infame?) assalto à varanda da Câmara Municipal de Lisboa pelos alegados monárquicos foi assunto de conversa há uns tempos. Enquanto íamos comparando os argumentos republicanos e monárquicos, um amigo meu disse uma coisa muito acertada: Não acho que alguém tenha direito a ser rei só porque nasce.

Ambos os regimes tem vantagens e desvantagens. A maioria dos portugueses não queria, então, a República, mas mesmo assim foi-lhes imposta. Hoje a maioria não quer ter um rei. Certo será que a maneira como pensamos e as nossas convicções dependem em muito do tempo em que vivemos, onde nascemos e as nossas próprias experiências. Ora, isto não nos leva a lado nenhum, pelo menos conhecido e confortável. Não é tudo relativo, penso eu, mas a verdade é neste caso relativa.

O que o meu amigo sugeria em contraponto era a ascensão na sociedade por mérito. Mas nem a República assegura isso! Poderemos dizer que os nossos políticos são os portugueses mais brilhantes? Seguramente que não. Mas julgo que alguns têm muito mérito a recolher votos e a fazer outras asneiras, lá isso têm. Por outro lado nem os mais brilhantes seriam eleitos, porque o mérito não anda de mãos dadas com a inveja e mesquinhice e sobretudo: a cunha. Temos então um problema, que se chama emigração. Mas não é uma emigração qualquer... é a dos "cérebros" deste país. Isto porquê? Penso que tenha muito haver com o próprio povo português e a sua maneira de ser, estar e, pior, pensar. Afinal as coisas estão como estão porque o próprio zé povinho se aliciado por uma cunha aceita logo. Assim porque se queixam?

Há quem diga que os portugueses têm os políticos que merecem. Não sei se concordo. Não sei até que ponto é isso que acontece, se têm exactamente aquilo que merecem, ou se até não terão mais do que merecem. Felizmente, apesar de tudo, Portugal ainda é um país desenvolvido, pacífico, etc. etc., isto é, ainda é bom viver cá. E por isto acrescentaria, não acho que alguém tenha direito a ser português, ou melhor, a viver em Portugal, neste lindo país à beira mar plantado só porque nasce cá ou nasce português ou é filho de portugueses!

Aliás o português chega a pensar que tem direito a subsídios só porque sim. E o "porque sim" também é a razão pela qual Portugal existe. O "porque sim" sobrevive e resiste e persiste contra todos os argumentos, problemas, ataques e azares que apareçam, tal como Portugal. O "porque sim" tem sempre a última palavra, porque sim.

Voltando atrás, penso que o argumento evolui para ninguém tem direito a nada só porque nasce, que os outros também não tenham direito a ter, o que leva ao busílis da questão: porque carga d'água tu és alguém só porque és filho de fulano e eu sou ninguém porque sou filho de sicrano, quando eu sou melhor que tu, e tu és um grande nabo, desculpa lá, sem ofensas, mas também já me desamparavas a loja, idiota.

Rei, não obrigado, mas assusta-me a ideia de que apesar de podermos contestar o governo, os partidos políticos e os próprios políticos, não podermos contestar o regime (pelo que ouvi dizer... carece de confirmação).

Hoje em dia, uma ditadura em Portugal não seria impossível, mas uma revolução seria?


10 setembro 2009

Bad Advertising


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Publicidade online com um timing perfeito, no Myspace. A hora, a data (e por vezes até a localidade onde o nosso IP se encontra) são comuns neste tipo de scripts. Já menos comum é ser o visitante número 100.000 e 999.999 ao mesmo tempo.


05 setembro 2009

Da relativa leveza da moral



A pureza sempre é uma vaidade em voga, vítima do mau olhado e do próprio cinismo.

Já a promiscuidade será sempre a nojice mainstream que infecta a verticalidade do ser.

A mesma história, em qualquer tempo, entre todas as bestas.


03 setembro 2009

Cliché



"Gostei esta arte é bonita" disse a criança. Aliás, escreveu com erros e assinou, no livro de visitas de uma exposição. Outros só parafraseando, com um "achei interessante", "está harmonioso" ou "tem sentido", assinariam.

Aliás, a palavra interessante tornou-se um cliché sem sentido nenhum, a maior parte das vezes, dado o seu emprego abusivo e, ironicamente, desinteressante.

É pena que uma língua tão culta como a nossa seja usada ao pontapé e cuspidela. Digo culta porque transporta uma herança rica, diversa e ecléctica. Contudo, querem amputar ainda mais a Língua, de fato.


15 agosto 2009

Confesso



Não gosto do twitter.

Excepto quando dizem que é uma ferramenta de liberdade contra a opressão e censura em sítios como o Irão. Mas continuo a achar que não dá para convidá-lo para uma noite de poker.


14 agosto 2009

10 agosto 2009

Relatividades



É (pode ser) frustrante quando uma coisa tem mesmo piada, rimos e damos conta que somos os únicos a achar piada. Depois é um misto de sentimentos de inferioridade/superioridade, por sermos os tótós que se riram quando os outros não e, também, por sermos os únicos com craveira para captar, entender e degustar a graça.

Isto não é para ter piada.